Por Davi Lago
Podemos citar três razões que demonstram a confiabilidade da narrativa dos evangelhos:
Razão nº1: Os evangelhos foram escritos num período próximo aos eventos narrados.
Isso é muito importante porque indica que os evangelhos foram escritos
por testemunhas oculares e pessoas próximas às diversas testemunhas
oculares. O fato de as testemunhas oculares estarem vivas no tempo em
que os evangelhos foram escritos é crucial porque elas poderiam
desmentir qualquer informação mentirosa.
Há muitas
evidências que demonstram que os evangelhos foram escritos cedo. Há
evidências internas, como por exemplo: o livro de Atos termina
bruscamente com Paulo esperando seu julgamento (At 28.30,31) o que indica
que Lucas, o autor, terminou o livro naquele período. Sabe-se que Paulo
foi martirizado entre 63 e 64 d.C. Sabe-se também que o livro de Atos
foi escrito por Lucas depois de seu evangelho (At 1.1,2). Logo, o
evangelho de Lucas foi escrito no máximo, apenas trinta anos após o
ministério de Jesus.
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| Papiro P52 ou papiro Rylands Grego |
Outro exemplo de evidência interna é a
ausência de qualquer referência no Novo Testamento da destruição de
Jerusalém em 70 d.C. Isso claramente aponta o fato de que todos os
livros no Novo Testamento foram escritos em data anterior a 70 d.C. É
notável o fato de que Jesus profetizou que Jerusalém seria destruída (Mc 13.1,2). E Jerusalém foi realmente destruída no ano 70 d.C. assim
como Jesus profetizou. Sem dúvida os autores do Novo Testamento, que
estavam preocupados em provar que Jesus é o Filho de Deus, teriam citado
o cumprimento dessa profecia para apoiar sua argumentação.
Há também evidências relacionadas aos
papiros com fragmentos do Novo Testamento que sobreviveram até nossos
dias. O papiro conhecido como Chester Beatty é datado de 200-250 d.C.; o
papiro Bodmer II de 200 d.C.; o papiro Early Chrisitian de 150 d.C.; e o
papiro John Rylands MSS de 130 d.C. Esses papiros comprovam que os
evangelhos foram escritos em data próxima aos eventos narrados.
Há evidências relacionadas aos escritos
patrísticos. Por exemplo, a epístola de Policarpo aos filipenses foi
escrita em 120 d.C., as cartas de Inácio em 115 d.C. e a epístola de
Clemente aos coríntios em 95 d.C. Todos esses escritos contém inúmeras
citações dos evangelhos e demais textos do Novo Testamento.
Portanto, se concluí que os evangelhos
passam do teste mais ácido de todos os escritos da Antiguidade. Os
evangelhos foram escritos na mesma geração que viu os eventos narrados. O
fato dessa geração ter preservado os evangelhos para as gerações
posteriores indica o fato de que não houve nenhuma distorção ou fraude
na narrativa dos eventos.
| Destruição do Templo de Jerusalém |
Razão nº2: Os eventos narrados nos evangelhos são solidamente apoiados pelas descobertas históricas e arqueológicas.
A arqueologia comprova a historicidade de eventos, pessoas e lugares
descritos nos evangelhos. Por exemplo: Em Lucas 2.1-3 está escrito que
foi realizado um censo no período em que Quirino era governador da
Síria. Sabe-se hoje que os romanos realizavam um censo a cada 14 anos e
que esses censos tiveram início com César Augusto. Inscrições
encontradas em Antioquia confirmam que Quirino iniciou seu governo em 7
a.C. Em Lucas 3.1 é citado um governador chamado Lisânias. Foi
encontrada uma inscrição próximo à cidade de Damasco que comprova a
existência dele. Em João 19.13 é mencionado um pavimento de pedra,
chamado Gábata, localizado no palácio de Pilatos. O arqueólogo William
Albright comprovou que esse pavimento existiu, foi destruído em 70 d.C. e
reconstruído pelo governador Adriano. Esses são apenas alguns exemplos
das descobertas arqueológicas que comprovam a historicidade dos eventos
narrados nos evangelhos.
Razão nº3: Os evangelhos não foram alterados com o passar dos séculos.
Esse fato é comprovado por evidências maciças. Primeiro, há cerca de
4.000 manuscritos completos do Novo Testamento em grego espalhados pelos
museus do mundo, e cerca de 13.000 manuscritos com fragmentos do Novo
Testamento. É uma diferença monumental se comparado com outras obras da
Antiguidade: há apenas dez manuscritos de Guerras Gálicas de Júlio César, dois manuscritos de Anais de Tácito, e sete manuscritos gregos das obras de Platão.
Segundo, os manuscritos do Novo
Testamento foram encontrados em diversas localidades como Egito, Síria,
Turquia, Itália, Grécia e Palestina.
Terceiro, os manuscritos do Novo
Testamento que sobreviveram aos nossos dias foram escritos transcritos
próximos aos manuscritos originais escritos pelos próprios autores. Há
papiros com fragmentos do Novo Testamento que datam de 50 a 100 anos
após a escrita dos originais. Há manuscritos completos que datam de 400
anos após a escrita dos originais (por exemplo: Codex Sinaiticus, Codex
Alexandrino, Codex Vaticanus). Há uma diferenaça descomunal aos outros
escritos da Antiguidade. Por exemplo: o manuscrito mais antigo que temos
da História de Tucídes, é de 1300 anos após o original; História de Heródoto de 1350 anos; Guerras Gálicas de Júlio César de 950 anos; História de Tácito de 750 anos; Anais
de Tácito de 950 anos. Entre os milhares de manuscritos do Novo
Testamento que possuímos hoje, há diferenças mínimas, que são apontadas
em notas de rodapé nas traduções modernas. Essas diferenças mínimas em
nada alteram a doutrina cristã e podem ser superadas através da análise
do que diz a maioria dos manuscritos.
A conclusão a que os estudiosos chegam é
que nenhum outro documento da Antiguidade é tão confiável como os
evangelhos e os demais livros do Novo Testamento.
Texto adaptado do site http://www.napec.net/apologetica/a-confiabilidade-dos-evangelhos/#more-2408

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